quarta-feira, 6 de agosto de 2014

POBRE FUTEBOL BRASILEIRO



Antes mesmo de iniciar a Copa do Mundo de Futebol no Brasil eu já havia postado nas redes sociais que para o bem do futebol brasileiro e mundial a Seleção Brasileira não podia ser campeã.
E como era de se esperar recebi muitas críticas, mas este é sempre o meu tom: não torço por A ou B, torço para a melhor qualidade, e não apenas nos esportes, em tudo que envolve a sociedade: bem estar e qualidade de vida da população, por isso não sou bairrista ou nacionalista.
Mas voltemos ao futebol que envolve a cultura brasileira: desigualdade social, extremamente hipócrita, demagógica, arrogante, incoerente, etc, etc.....e por ai vai; este comportamento também acontece no futebol. Vejamos, todos os clubes estão falidos e mesmo assim fazem contratações por valores absurdos e salários assustadoramente absurdos também: R$ 500.000,00 a R$ 800.000,00 por mês para jogadores e/ou treinadores - abro um parenteses no caso dos treinadores: eles são contratados por "x" temporada, mas sem apresentarem bons resultados os clubes já rescindem o contrato, e estes clubes são obrigados a pagar a multa, os salários deste demitido, mais os salários do novo contratado, e as vezes acumulam-se 2, 3, 4 treinadores recebendo mensalmente.
Acrescenta-se ainda nestas contas de altos salários e demissões aleatórias, os desvios de dinheiro, as fraudes, os esquemas com empresários e, em contrapartida não sobra dinheiro para pagarem os tributos e até mesmo a folha de pagamento da entidade - um clube de futebol não é composto apenas de jogadores de futebol, existem faxineiros, porteiros, seguranças, médicos, funcionários administrativos, gerentes, diretores e presidente (apesar que legalmente diretores e presidentes não podem ser remunerados, mas.....), entre outros tantos cargos.
E para onde vai a fortuna que eles ganham com o direito de transmissão pela TV, patrocinadores, renda (que por sinal está um lixo, estádios vazios com ingressos caros, mas comento mais abaixo).
Não falta apenas capacidade de administrar, falta caráter.
O que vimos na Copa do Mundo é apenas a consequência de algo que teve início ao longe, talvez a uns 30 a 40 anos, basta ver o estado que os clubes foram ficando em relação a qualidade do futebol mundial apresentado. E esta qualidade de futebol reflete diretamente na receita, e o financeiro reflete na qualidade do futebol.
Analise esta lista:
1. A Portuguesa de Desportos está na zona de rebaixamento para a série C, série a qual está o Guarani de Campinas que é um dos campeões nacionais se encontra e não vem apresentando grande futebol, com constantes pedidos de renúncia de presidentes.
2. E por falar em Campinas a Ponte Preta também não anda lá grandes coisa na série B deste ano.
3. O Palmeiras está virando uma Portuguesa, um sobe e desce de série A e B constante, com péssimos resultados já a quase 5 anos, péssimas administrações tem colaborado com isso. O Palmeiras deixou de andar com as próprias pernas na era da Academia dos anos 70: Ademir da Guia, Dudu, Leivinha, César Maluco, Leão, e outros que não me lembro de momento.
4. O Santos vendeu seus ídolos: Robinho, Diego, Elano, Ganso e até o Neymar, e está sem dinheiro, fazendo poucas contratações, ou contrações de jogadores sem destaque, mas no geral aproveitando a meninada da base (o que é correto). Não tem um estádio que comporte a sua história, e nem tem torcida para isso, ver a Vila Belmiro com mil ou 5 mil torcedores, torcedores do Pelé.
5. Conhecido como time elitista, São Paulo, está com salários atrasados, briga entre diretores, um futebol irregular, um troca-troca de treinadores nos últimos anos, e sem ganhar nada a muito tempo.
6. Neste contexto também não escapa o Corinthians com suas recentes glórias e sua enorme torcida (lê-se receita igual fruto da grande torcida x audiência), que tem uma dívida gigantesca com a construção do estádio, sujeito a ter seus bens penhorados devido aos valores recebidos com a venda do jogador Paulinho, mas que não foi repassado a quem de direito. (nota: pagamento efetivado dias após a publicação desta matéria)
7. E o futebol carioca então? Seria melhor nem mencionar, mas vamos lá: o Vasco está prestes a se manter na série B para o próximo ano, com salários em atraso, desvios de dinheiro, fraude nas eleições, que chegou a ser impugnada pela justiça, um caos.
8. O Botafogo tem a maior sonegação fiscal do Brasil, o maior número de processos trabalhistas, como eu disse acima, existem outros cargos trabalhistas e estes também entram com processos e não apenas os jogadores e treinadores, um desespero que leva a ameaça de encerrar as atividades.
9. Fluminense sobrevive às custas da Unimed que detém o maior número de jogadores no clube: faz as contratações, paga os salários. Só está na série A deste ano por causa do STJD, que é outro setor duvidoso com suspeita de corrupção.
10. O Flamengo que se gaba de ter a maior torcida do Brasil está a muitas gestões administrativas falido: entre presidente, sai presidente e nada muda, ou piora a cada dia, sem craques, sem nomes de destaque no elenco, futebol medíocre, nos últimos anos escapando do rebaixamento nas últimas rodadas, campeão em 2009 com a ajuda do goleiro Felipe, na época jogador do Corinthians e campeão da Copa do Brasil em 2013 que pelo futebol apresentado ao longo do ano deveria ser do Atlético Paranaense, mas, enfim...
11. Entre os principais centros futebolístico, é o maior estado, Minas Gerais geograficamente falando, e mesmo assim só tem dois clubes, os quais vivem bons momentos a 2 ou 3 anos, mas já estiveram muito ruins anos antes deste período, tanto financeiramente como espetáculo apresentado.
12. Rio Grande do Sul é outro exemplo de Estado com dois clubes, com a vantagem de ser um Estado diferenciado sócio-econômico do resto do Brasil, mas que em futebol também tem ficado a desejar, ainda mais com a vergonha do Internacional ter perdido para o Mazembe no mundial de clubes e o Grêmio a mais de 10 anos, 13 talvez, sem ganhar um título nacional.

O problema é muito sério, e vemos um final anunciado e trágico para o futebol brasileiro. É necessário participação do povo, o governo, as entidades desportivas  (CBF, Federações e clubes), dos próprios jogadores e técnicos tomarem providências enérgicas e imediatas, porque futebol é comércio é uma marca; e as regras, as leis do comércio devem ser respeitadas num mundo competitivo. A marca deve ser aperfeiçoada e atualizada constantemente.
Não pode uma emissora de televisão querer administrar o futebol, ditar as regras. Mas se quer fazer, que o faça em proveito coletivo, para todos os grupos acima mencionado. Ela não pode pura e simplesmente administrar em proveito próprio, quer agregar isso ou aquilo e a CBF ser omissa ou permissiva.A marca futebol pertence à CBF ela deve gerir o negócio ou passar a terceirização competente.

Futebol é comércio, comércio televisivo é audiência, audiência é torcedor, torcedor quer ver bom espetáculo, e por aí vai. É um ciclo, uma ciranda.
O que temos visto são estádios vazios, fruto da televisão, e a qualidade jagada. Pois na Europa os estádios ão lotados, mesmo em partidas de menor interesse, as TVs também transmitem: de 2ª a domingo, em horários e canais variados, dependendo do interesse de cada um: seja clube, emissora, campeonato, público alvo (que pode ser de dentro ou de fora do país de origem da transmissão - chegando até mesmo a transmitir partidas que visam o mercado asiático, norte-americano, árabe, etc). Os campeonatos europeus são muito bem elaborados, são verdadeiros shows, um produto à venda.

A Rede Globo só visa o seu interesse, é um comércio monopolizado, um erro comercial, outros canais não conseguem competir por "n" fatores, e a CBF chega ao absurdo de punir profissionais que comentam ou contrariam o interesse de ambas.
Este monopólio está tirando o interesse do torcedor, que está buscando outras alternativas, visto que a queda de audiência no futebol é semelhante a queda de audiência das demais programações desta emissora. O telespectador está fugindo para a TV por assinatura, para a internet, para os games, redes sociais, e com isso as crianças, os jovens estão deixando de se interessar pela prática desportiva.
Uma gestão comercial é muito delicada, deve ser extremamente profissional.
Não pode gerar o monopólio do futebol através de uma emissora, ou o cartel de grandes clubes, ou ainda o dumping dos pequenos clubes. Administrar um produto exige conhecimento administrativo e de marketing, mas acima de tudo caráter.

O brasileiro tem que tirar a bunda do sofá, com o copo de cerveja na mão e o olhar para dentro de si quando tudo está bem para ele próprio, e sair para questionar, e para isso tem que conhecer, ler, pesquisar, estudar; não pode aceitar uma única visão e versão de um canal global. Tem que sintonizar outros mundos, outras culturas, copiar o que é bom e deu certo. Temos que parar com este pensamento que o Brasil é perfeito é a terra maravilhosa, linda por natureza. Temos um país que é gigante mas que tem que acordar verdadeiramente sem mentira, e com muita humildade aceitar nossos erros porque daqui a pouco será tarde, o futebol, a política e a sociedade em geral estarão nas mãos do crime organizado, do monopólio e do colarinho branco.

Para o bem do futebol brasileiro, para o bem do povo brasileiro no seu COTIDIANO o futebol precisa mudar - URGENTE.

por Wagner Luis Pires