sábado, 29 de novembro de 2014

DJ WAGNER PIRES - HOT FORCE


CRÔNICA DE UM ROMANCE

         


         No dia em que te conheci não foi amor à primeira vista. Mas foi uma loucura, uma loucura insana.

          Tu devias ter imaginado que eu seria apenas mais um aventureiro para desfrutar-te e em seguida partir e abandonar-te, como tantos outros fizeram.

          Confesso que no início embarquei para uma aventura. Conheci-te quando meu coração estava terrivelmente machucado e estava precisando mudar de vida de uma forma radical. Precisava apaixonar-me.

          Tímido, fui te conhecendo ainda assustado, e com pouco tempo para isso, pois o trabalho tomava-me o tempo para que pudesse te visitar continuamente.

          Fiquei a conhecer-te e desfrutar dos cantos e encantos, a ficar maravilhado. Uma menina, e sempre será uma rapariga, mesmo com idade já avançada, com muitas histórias para contar. Histórias de conquistas, de sofrimento com dificuldades e lutas, revolta.

          Uma revolução libertou-te da opressão, fez com que você pudesse se tornar moderna, uma aparência jovial, novas vestes e contemporânea. Oportunidade de conhecer muitas pessoas de todas as partes do mundo e ficarem apaixonadas.

          Tu és do trabalho duro, pesado, porém responsável, para poder adquirir os recursos para sustentar tua beleza do COTIDIANO. Gosta da diversão, das baladas e de virar a madrugada em festa. Muitas festas, nos quatro cantos da cidade.

          Inverno a chegar a zero, e mesmo assim você aquece-me, e no verão aproveitamos para nos bronzear no sol que brilha, e brilha quase que 300 dias ao ano. Sendo bela em todas as estações do ano, com o límpido azul do céu, sempre presente, refletindo o teu brilho.

          Ficou apaixonante, e não queria que tivesse um fim. Desejava ali ficar e morrer em teus braços, até eu chegar com idade bem avançada, de dias bem vividos ao teu lado.

         Fui estúpido em deixar-te, abandonei e fugi. Fuga por medo, insegurança, covardia sobre o meu futuro.

          Lamento todos os dias de saudades. As noites são sofridas e chorosas por querer estar com você, poder ver-te desde o amanhecer até o meu dormir. Conhecer-te ainda mais, sentindo o teu cheiro, viver em novos passeios e nossas novas aventuras.

          Ah, Lisboa, um dia eu ei de voltar e realizar novamente o meu sonho e nunca mais abandonar-te, e no Tejo deitar fora as minhas cinzas.



Wagner Pires


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ESCOLHAS




Sou velho, mas ainda me considero novo
Ainda preciso mudar, ou ficarei
Para a cidade, ou para a praia
Vou ao Norte, ou para o Sul
Onde aprecio o frio, ou admiro o calor
Companhia da loira, ou a morena
Relaxando no cinema, ou teatro
Com pipoca, ou batata
Doce, ou salgada
Mais o suco, ou refrigerante
Açúcar, ou adoçante
Pagamento com dinheiro, ou cartão
Crédito, ou débito
A vista, ou a prazo
Voltaremos para casa, ou esticar a noite
Ufa
Seguir, sempre seguir
E nunca parar
porque assim é o COTIDIANO
Com suas perguntas
Importantes ou insignificantes
Mas necessárias
Opções, dúvidas e incertezas
Respostas que nem sempre
Teremos ou daremos
Nem tempo e nem espaço
Não poder ficar inertes
Aguardando o apagar das luzes
E o fechar da porta
Atividade ou ativista
Minha atitudes e meus caminhos
Ora em palavras, ora em silêncio
Certos ou errados
Erros serão aprendizados
Determinam quem eu sou neste mundo

"Fé é a certeza das coisas que se espera, e convicção de fatos que não se veem". Hebreus 11:1


Wagner Pires

terça-feira, 25 de novembro de 2014

PELO MUNDO.....




.....ando a tua procura desde o amanhecer até em meus sonhos, onde você está sempre presente. Nos meus sonhos reais você continua ausente, não aparece. Fico a olhar nas ruas por onde passo para poder te encontrar. No COTIDIANO imagino que seja você no metrô, ou olhando as vitrines... Mulheres que passam, circulam, e nada de você aparecer. Sinto o teu perfume sem nunca ter te sentido. Olho nos olhos castanhos, verdes ou azuis que não são correspondidos. Admiro seu cabelo loiro, que às vezes são pretos, cacheados ou lisos. Pele clara ou escura que sinto ao meu corpo sem nunca ter estado ao meu lado, sem nunca ter me tocado. Imagino que seja você no trabalho, ou quer seja nas festas: nem mesmo entre os amigos muito menos em família. Já tentei em tantos lugares, que me fez voltar ao outro lado do Atlântico. Daquele lado onde estive, de onde não deveria ter saído, não tive a sorte, apesar de quase ter te encontrado no último verão em que lá estive, tinha muita certeza. Realmente parecia você com aquele sorriso que não me sai da memoria, mas não deu tempo porque nossos tempos eram outros, nossas épocas foram outras, impossível viver aquele romance. Outrora você tinha a voz doce e suave com o sotaque regional, inconfundível, num corpo exuberante, olhos verdes e, tive que partir. No trabalho quase foi você, pensei que fosse, pelo menos da minha parte, mas era apenas a amiga. Amiga que me fez procurar-te longe, distante. Amiga que me fez procurar-te até mesmo virtualmente, e também não te encontrei. Você nunca esteve tão perto e tão linda até mesmo quando comemorávamos o aniversário daquele que, quem sabe, seria seu enteado, foi mais uma sombra que sumiu entre a escuridão. Desde então, debruço no muro e ali fico a esperar, só te vejo passar de um lado ao outro, mas você não me vê. Não desistir, porque nunca irei desistir, mesmo que eu tente, não é possível. Se isso acontecesse é porque será o meu fim. Porém, ainda tenho a certeza que ainda não será. E se o fim chegar, nem assim irei desistir de você. Irei procurar-te até a eternidade para poder te amar.

Wagner Pires

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CARTA DE NATAL




Caro Noel,

          Estou refazendo o meu pedido dos presentes que eu desejo receber. Porque eu acredito que se eu "pedir, me será dado"; e se "eu buscar, acharei" (Lucas 11:9).

         
Estes são os mesmos presentes pedidos no passado. Daquele passado recente, onde os natais eram em invernos congelantes. Congelou os sentimentos tornando uma alma solitária. Solitária até estes natais em pleno verão, que não são capazes de aquecê-la; "ando desgarrado pelo deserto, por caminhos solitários; não achando cidade para habitar" (Salmos 107:4)

          Reconheço que nem sempre tenho uma vida correta, sem defeitos, mas
 "se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (1ª João 1:8).

          Mas quem é perfeito?

          Procuro
 "afastar-me de toda aparência do mal" (1ª Tessalonicenses 5:22). Porém, são atitudes em vão. Não Te ouço, não Te vejo, não Te sinto. às vezes acredito que não seja capaz de fazer algo a mim, ou se é que realmente exista.

          Tua fama de ser capaz de dar alegria, felicidade, milagres e bençãos nos natais de todos os dias, no decorrer de todo o ano, desde os primórdios, chegam a ser questionadas por mim. Pois, são situações que me estão sendo ofuscadas pelas lutas sem conquistas: 
"o que eu temia veio sobre mim, o que eu receava me aconteceu. Não tenho paz, nem tranquilidade, nem descanso; somente inquietação" (Jó 3:25-26).

          Os meus olhos andam encobertos pela dúvida e o medo, e não consigo enxergar o dia de amanhã, o futuro, o que ainda não existe. Mesmo que aguarde pelo presente sob árvores, sob os meu braços, sob meu olhar, sob minha fé.

          Meus ouvidos tampados pelas críticas e pelas contendas não permitem ouvir-Te. O som silencioso das ondas rebentando nas praias, a calmaria das marés são encobertos pelo trovejar e tempestades, fazendo-me encolher e esconder.

          Meus pés cansados de correr em vão, de um lado para o outro, sem nada conseguir, sem me estabelecer, já não são suficientes para que siga a Tua sombra. Ficam adormecidos à beira do caminho.

          Os braços pesados pelo desânimo do trabalho sem recompensa, sem forças para erguê-los para adorar-Te em gratidão.

          Assim, a cabeça ainda cabisbaixa, derramando lágrimas das derrotas e frustrações, deixa o corpo sofrido, e a alma desfalecida, apagando a fogueira do espírito sem a lenha do Lenhador.

         
Ainda que eu pendure um par de meias, um par de esperança, continuo a procurar quando despertar. Busca contínua e incessante.

          Sendo assim, meu pedido de presente é para um melhor presente, que perdoe o meu passado, para eu ter um COTIDIANO feliz. Chegar no amanhã e descansar no futuro, e deixar mais tranquilo o futuro do meu futuro.

          Eu possa ter o meus sonhos, sentir e tocar os meus desejos, suprir-me nas minhas necessidades.

         
E possamos viver "a paz que excede todo o entendimento, tendo os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus" (Filipenses 4:7) livrando-nos de todas guerras e lutas, e despertarmos todos os dias admirando o natal da manhã do amanhã com esperança; da felicidade do natal diário, de hoje, de cada dia; agradecido pelo natal de ontem, e de sempre.


          Grato.


          Wagner Pires

sábado, 22 de novembro de 2014

O CIRCO




Momento de fixar as estacas
Levantar as lonas
Onde o coração pulsa como o ronco de V12
Fazendo circular gasolina pelas veias
O odor do óleo inalado pelas narinas

Flechas de prata, cavalos rampantes
Touros famintos e tantos outros monstros
Informáticos, tecnológicos, robóticos
Calçando ferraduras de borracha
Que deixa seu cheiro no ar

Feroz e voraz
Veloz, capaz
Seriam capazes de dar voltas ao mundo
O mundo que para apreciando o universo incomum
Que desfilam fama, beleza e poder

Coragem em milésimos de segundos
Precisão e coragem
Um deslize e pode ser fatal
Fatal na pintura da obra em busca da vitória
Fatal para a própria vida

Guerreiros vestidos por suas armaduras
Cavalgando com capacetes e luvas
Macacões coloridos por diversas marcas
Que vem de várias raças
Botas sensíveis ao romper o asfalto

Gladiadores nas arenas
Para o povo ligado nas antenas
Olhos atentos a cada metro
Vendo circular, mas não em círculos
Viram a direita, viram a esquerda

Curvas e retas que nem sempre são retas
Conduzem ao caminho da sua conquista
Cruzando em preto e branco
Para banhar-se em champagne
Erguendo seu estandarte

Bandeira do guerreiro vencedor
Lutadores desarmados
Desarmando este circo
Seguindo por novas estradas
Em busca de outras batalhas




Wagner Pires

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PACIÊNCIA DE JÓ




Sentado observando a destruição
Vazio, só restou trevas
Terra esvaziada pelo anjo da morte
Veio abaixo como um trovão
Lançado do céu ou vindo do abismo

Consumindo como um fogo incontrolável
Nada à frente para o deter
Meus bens materiais arruinados
Os animais nos campos devorados
Nem tão pouco meu temor era obstáculo

Seres humanos evaporaram pela ira
Todos filhos, todos estavam ali a se divertir
Amores, todos meus amores
Sou homem íntegro e reto
Evitando todo o mal

Abandonei-me pelas ruas
No COTIDIANO fui levado ao vento
Tornei-me indigente enfermo
Coberto de feridas pelo corpo
Que coçava com cacos que via à mão

Só não era pior que a ferida da alma
Valente em lutar por respostas
Machucada por acusações da minha mulher
E os poucos amigos que me restaram
Eu aguardava sem desespero a solução

As críticas eram sem conhecimento
Cada um com uma versão, uma visão
Discurso sem fundamento
Tentando me culpar com sua opinião
Paciência no sofrimento

Perseverança que não foi em vão
A alma poderia estar doente
O espírito paciente na fé
E esta me fez compreender
Pelo entendimento: não foi pelo meu erro

Ouvia aquela voz e a debatia
Enfim pude aceitá-la e obedecer
Trazendo-me restituição e paz
Até descansar farto de dias
Vendo novos filhos e filhos dos meus filho



Wagner Pires

AMIZADE


domingo, 16 de novembro de 2014

NAZIREU




Vivo meus últimos dias
Já não enxergo o mundo e não tenho mais sentidos
Nos ombros carrego minhas culpas
Resta-me pouca força e vigor

Força e beleza do meu corpo
Que foi admirado e desejado por muitas mulheres
Minha fama alcançou o mundo
Orgulhoso, levei-me pela soberba

Prepotência e arrogância de ter vencido civilizações
Nas minhas lutas do COTIDIANO
Conquistei todas muitas delas
Causando medo, espanto e inveja

Inimigos persuasivos minando minha sabedoria
Adversário sedutor para revelar meus segredos
Agindo sem sentimento e misericórdia
Para levar-me até o mais profundo das catacumbas

Lugar onde estou prestes a destruir
No meu último suspiro de arrependimento
Derrubando sobre nossas cabeças
Corruptos, pagãos e blasfemadores: mais mortos na minha morte



Wagner Pires 

sábado, 15 de novembro de 2014

PALAVRAS



Frases que são ditas
Frases que machuca
Frases que nem sempre ajuda

Frases esquecidas
Frases de amor
Frases que poderiam aliviar a dor

Frases do COTIDIANO
Frases de uma rotina
Frases que nem sempre anima

Frases de vida
Frases que não se pratica
Frases de fé que nem se acredita

Frases de morte
Frases que leva ao suicídio
Frases para voltar ao princípio

Wagner Pires

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

CIDADE MARAVILHOSA




Quando vemos reportagens sobre guerras pelo o mundo a fora, a frase que mais ouvimos no Brasil é que o brasileiro é um povo pacífico.
Ao mesmo tempo exaltam-se pelo fato de serem receptivos, hospitaleiros e alegres.

Um país que não participa de guerras não pode ser considerado sinônimo de pacífico. Digamos que o Brasil, assim como todos os países da América Latina (prefiro excluir a América do Norte por razões bem óbvias: é formada pelos EUA e Canadá e isto já basta, já diz o que são) tem o mesmo perfil diplomático: boas relações políticas e nenhum interesse de violar o território do outro. Apenas a alguns anos atrás tivemos problemas entre a Colômbia e Venezuela, onde Hugo Chaves queria também levar o problema para a Bolívia, mas tudo pacificamente foi resolvido, tudo não passava de artimanhas políticas de Hugo Chaves para distrair a atenção de problemas internos na Venezuela.

Assim como o Brasil representa-se em situações militares em outros países somente quando solicitado pela ONU, como no caso do Haiti, que não foi uma guerra propriamente dita. Portanto, o Brasil atua militarmente em missões de paz.

Não sou estudioso do assunto e não quero fazê-lo, meu interesse pela história é outro, e os fatos que quero descrever aqui também são exatamente diferentes de conflitos mundiais. Mas o que me aparenta ser é a incapacidade do Brasil de atuar em ações militares ofensivas. Incapacidade de equipamentos bélicos, assim como humano.
Para se atuar numa ação ofensiva, mesmo que não seja nos campos de batalha, há a necessidade de um eficiente trabalho de inteligência. Sendo que quando vemos ações militares mais intensa pelo mundo a fora, os países do bloco do G8 (EUA, Canadá, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Rússia, Itália e Japão) é que tomam a iniciativa e liderança.
Portanto, talvez, o Brasil não participe de guerras por incapacidade bélica, técnica, financeira e política. 

Quanto a personalidade do povo brasileiro, temos que parar com esta hipocrisia idiota de que somos receptivos e educados, o brasileiro é um dos povos mais mal educados do mundo, não é capaz de respeitar um outro cidadão na fila do transporte público; o motorista não é capaz de respeitar o pedestre que está para atravessar uma via pública, isso mesmo estando debaixo de uma lei, na Europa é hábito, é um costume do motorista parar, seja em que via pública for. Nós recebemos bem o estrangeiro porque o brasileiro é um bando de idiota, interesseiro e puxa saco, oportunista, que na verdade está é querendo tirar proveito da situação.

O brasileiro não é um povo alegre, é um povo bobo, preguiçoso e vagabundo: tendo a cerveja, a praia, o samba (hoje em dia o medíocre do funk) e o futebol está ótimo. Povo acomodado e conformado devido o seu egoísmo, não está preocupado com a coletividade, com a sociedade como um todo, se o bolso dele está bem, para que se preocupar com o vizinho. Por isso sorri.
Vimos isto nas eleições que se encerraram: reclamam, vão às ruas, e votam nos mesmos. Não estou me referindo em âmbito nacional (presidencial), estou falando de governadores, senadores e deputados, os mesmos envolvidos em diversos escândalos, roubos e fraudes.
Votam assim porque não estão preocupados com o futuro da sociedade, estão preocupados apenas com o seu próprio presente.
Detalhe: o roubo na Petrobrás já acontece desde a década de 70 (governos militar), passando pelos escândalos de José Sarney, FHC, Lula e culminando no governo Dilma.

O brasileiro é o povo mais violento do mundo.

Temos que olhar dentro dos nossos muros, no nosso território. As pessoas não podem sair de casa em segurança. O crime organizado está infiltrado em todos os segmentos político-econômico-social. Eles comandam tudo aquilo que os brasileiros mais se acomodam: o futebol, a música, as praias (diga-se as ruas em geral), a economia. Tudo passa pelo crime organizado.
Os crimes do colarinho branco também está associado, engana-se quem pensa que não. Dentro da polícia encontramos membros de facções criminosas.

Neste ano o Brasil bateu o recorde de mortes, maiores até do que muitas guerras por aí: Iraque, Chechênia, entre outras. Em relação ao Iraque, o Brasil teve 5 vezes mais mortes.
No Brasil são roubados 26 carros por hora, quase 1 a cada 2 minutos. São registrados 50 mil casos de estupros de mulheres, homens e crianças. Eu disse registrados, e os que nem são informados? São quase 0,03% da população brasileira violentadas. Temos muito mais mortes de policiais no Brasil em 1 ano do que em 5 nos EUA.

No Brasil impera a impunidade dos ricos, influentes e poderosos; a justiça é lenta; o sistema carcerário é obsoleto, falido, ultrapassado e superlotado. Nossas leis chegam a ser ridículas quando verificamos que menor não pode ser preso, que passado o período de flagrante o infrator mesmo que assuma a culpa não pode ser preso.
É um absurdo quando a sociedade é obrigada a ceder de seus direitos e privilégios por causa do criminoso, por exemplo o motociclista não poder entrar num posto de gasolina com o capacete em sua cabeça, não poder utilizar celulares dentro de agências bancárias; e o mais absurdo ainda, o torcedor comum não poder assistir ao seu time de coração no estádio do adversário devido o risco de brigas, violência e morte, nem no seu próprio momento de lazer - jogos de torcida única.
A sociedade é refém da criminalidade.

A droga pode até não ser produzida aqui, mas grande parte, quase que sua totalidade passa em nossas rotas. E é se olhar o estado das ruas das grandes capitais: cheias de moradores usuários de crack.
A prostituição adulta e infantil. A infantil muito mais atuante em pequenas e distantes cidades.

Estamos morando dentro de um barril de pólvora, somos verdadeiros reféns da criminalidade, da polícia (que muitas vezes é ineficaz e inoperante por obrigação e não por desejo próprio e incapacidade), e dos nossos governantes que se omitem ou são coniventes por interesse, e alguns que chegam ao poder, mas são obrigados a se calar.

Não adianta sairmos às ruas e pedir o impeachment deste ou daquele, criticar esta ou aquela medida governamental, se os ônibus são queimados, estabelecimentos são invadidos e depredados, e nem os próprios funcionários, proprietários e policiais conseguem conter esta onda de violência.

Pedir a volta do regime militar é desconhecer os fatos ocorridos no passado.
É necessário, e urgente, de medidas sócio-educativas-culturais, mas estas medidas devem ser tomadas dentro da própria casa, dentro da consciência de cada cidadão, quando educam seus filhos e quando vão às urnas.

Chega de hipocrisia, não podemos mais colocar a culpa só nos governantes. Não dá mais para ficar com o mesmo discurso que os professores ganham pouco, os policiais ganham pouco; o brasileiro ganha pouco e é uma realidade, e isso também é um fator preponderante na formação de uma sociedade.
Para o aluno estudar não é preciso o professor ganhar muito ou pouco, basta ter vontade de querer aprender, basta os pais quererem formar bons e honestos cidadãos.

Um povo sem sabedoria é uma nação sem educação, e uma nação sem educação é uma nação sem cultura. Se não temos cultura não temos boas histórias para contar no COTIDIANO do nosso futuro: o barril de pólvora vai explodir.


Wagner Pires

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

GUARDA COMPARTILHADA



Leis existem para serem cumpridas, analisadas, julgadas e sentenciadas dependendo de casos e casos.

Em 04 de Novembro de 2006 resolvi me mudar de casa, sair de casa pois o casamento já havia acabado em 25 de Dezembro de 2005 e eu estava apenas adiando uma situação que já deveria ter sido tomada.
Neste dia, ou melhor, nesta noite em que fiz minhas malas, meu filho, na época com 5 anos e 8 meses, quis me fazer companhia, e o fez durante todo o final de semana.
Morávamos em Portugal desde 2004, eu era cozinheiro, apesar de sempre ter trabalhado no Brasil na área Administrativa/Financeira. Não tínhamos nenhum parente por lá, somente alguns amigos brasileiros e portugueses.
Até o dia 28 de Julho de 2006, ou seja, durante 8 meses de separação, por comum acordo, tínhamos guarda compartilhada, na época eu nunca havia ouvido nada a respeito deste tema. Eu pegava meu filho na 2ª feira logo após o almoço e o levava de volta na 4ª ou 5ª feira, também após o almoço. Ou ainda buscava-o no Sábado ou Domingo dependendo da necessidade da mãe.
Porém, neste dia 28 de Julho, devido a uma dificuldade da mãe, eu decidi que meu filho ficaria o verão somente comigo até o início das aulas, 15 de Setembro de 2006 - ele iria iniciar no 1º ano do 1º Ciclo (atual 2º ano do ensino fundamental aqui no Brasil), podendo ficar com a mãe aos finais de semana - o que não ocorreu durante 45 dias.

Quando ele estava com a mãe, eu dava um valor mensal à ela para ajudar nas despesas, como se fosse a pensão alimentícia. O valor foi calculado baseado em meus rendimentos e sugerido por um promotor da Câmara do Seixal, a qual eu havia procurado. Por lá não formalizamos o divórcio e a pensão devido a legislação.

Como eu disse, eu era cozinheiro e em Portugal trabalha-se em horários repartido - das 10 as 15 e depois adas 19 as 23 horas. Tinha a necessidade de levá-lo comigo algumas vezes, apesar de eu ter contratado uma babá (em Portugal esta profissional chama-se ama). Meu patrão é uma pessoa muito solidária e humana, por isso não se importava de levá-lo ao trabalho. Ele ficava andando pelo restaurante conversando com os clientes,  fazendo amizades pelo bairro, tanto com crianças como com adultos, ele é uma criança muito querida e educada e tem muita facilidade em comunicar-se com adultos devido este respeito. Sempre fui muito elogiado pela educação dele. Na primeira reunião escolar fui tão elogiado que não me contive, o que também não é difícil, sou chorão por natureza.
Aos finais de semana eu trabalhava até 1 ou 2 horas da madrugada e ele dormia na própria cozinha num lugar que eu preparava para ele descansar. Íamos nos adaptando à nova rotina.

Quando o início das aulas já estava chegando, ele deveria voltar a morar com a mãe e eu iria vê-lo aos finais de semana para que eu não atrapalhasse com a rotina trabalho x escola.
Para minha surpresa ele não quis mais voltar a morar com a mãe, foi uma decisão dele. Claro que eu gostei, mas não quis interferir, procurei apenas analisar as vantagens e desvantagens de nós três (pai, mãe e filho), e cheguei a conclusão que isso realmente seria o melhor para ele em vários aspectos, para não dizer em todos.
Isso me obrigou a trocar de trabalho para que eu pudesse dar mais atenção à ele.

Tínhamos uma rotina normal de uma família e, acredito eu, a rotina normal de uma mãe separada que cria seu filho sozinha: trabalho, casa, escola, lição, médico preventivo e corretivo, lazer, enfim uma vida normal; mesmo morando apenas nós dois sem ajuda de ninguém: não estava com namoradas, amigas, e nenhum familiar.
Até pude entender o porque dos homens serem os primeiros a ficarem prontos para uma festa ou evento e as mulheres sempre atrasadas.
Ele continuou crescendo educado e respeitador, uma criança como uma outra qualquer em situação semelhante ou com a família. E nunca precisou de ajuda de profissional na área psicológica.

Sua mãe retornou ao Brasil em Dezembro de 2009 e nós permanecemos por lá até o final de 2010.
Voltamos ao Brasil para morar na capital paulista e sua mãe estava morando na grande Belo Horizonte até mudar-se para Presidente Prudente-SP.
Sempre digo à ele que o amor, carinho e respeito pela mãe deve ser igual ao meu, que os problemas que tivemos foi de marido e mulher, e nada deve interferir no relacionamentos dos pais com ele.
Eles se falam via redes sociais e telefone, se veem pouco devido à distância, trabalho e escola.
Eu e ela não somos amigos, mas também não somos inimigos, ela tem todo o direito de acompanhar a vida do filho, e cada um de nós seguimos a nossas vidas.

Hoje ele está quase para completar 14 anos, o que fará no dia 6 de Março de 2015. Foi, e está sendo, uma experiência mais do que gratificante, foi aprendizado e amadurecimento para nós três.
Além de filho, ele é meu amigo e companheiro; vivendo na fase de adolescência com suas descobertas, curiosidades e dificuldades, onde procuro orientá-lo quanto a sociedade atual, e dou minha opinião quanto a família, escola, trabalho, vícios, drogas, relacionamento amoroso (gostem ou não, sou contra o homossexualismo, não tenho nada contra o homossexual, pois tive vários funcionários nestas condições e alguns bons profissionais, outros ficaram a desejar, mas não por sua homossexualidade, apenas pela sua capacidade de desenvolver o trabalho).

E assim nós vamos vivendo o COTIDIANO atual, sem saber o que virá pela frente.

A guarda compartilhada não pode ser um caso generalizado, assim como a guarda apenas da mãe. Não podemos mais viver na tradição e costumes. O mundo passa por transformações constantes e de tempos em tempos vemos mudanças no comportamento da sociedade.
Cada caso deve ser analisado pelos pais, pela família, podendo chegar à justiça, mas principalmente ouvir a criança. Dando atenção e credibilidade.
Como eu sempre digo, os filhos são as principais vítimas de um relacionamento fracassado, mas não podem ser reféns do problema. A solução tem que ocorrer para em primeiro lugar o bem estar das crianças, nem que isso alguém tenha que modificar seu comportamento, pensamento e rotina, para que possamos formar bons cidadãos, integrantes de uma sociedade mais digna e justa.


Wagner Pires

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

COMUNICAR-SE




A principal maneira de nos entendermos através da comunicação não são as palavras escritas.
A forma mais correta de interpretar o conteúdo de um diálogo é a expressão.
A expressão é o que revela os sentimentos: bons ou ruins.

A palavra por si só é morta.

Somos atores teatrais atuando no COTIDIANO de acordo com nosso caráter, o estado de espírito, o humor diário, as conquistas e as derrotas.
Portanto, nosso texto falado é interpretado através dos outros sentidos humanos: visão e audição (alguns exageram e utilizam o tato na conversa, outros precisamos de um guarda-chuvas; pior ainda os que temos que deixar de utilizar o olfato...).

Gestos e postura, assim como a tonalidade e intensidade da nossa voz diz muito além do que as palavras querem dizer.

O mundo tecnológico e interligado é mecânico, robótico, formando seres egoístas e insensíveis.
Cabe a nós sabermos utilizar, e não menosprezar ou dispensar, estes novos mecanismos tecnológicos de comunicação.

Assim como a comunicação com Deus não poder ser feita somente via WhatsApp.

"Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica." (2ª Coríntios 3:6)


Wagner Pires




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AMANHECER




Desperto em meus sonhos
Abro os olhos e aprecio a paz e a alegria
Onde desejaria estar
O Sol está sempre brilhando
No azul do céu entre as nuvens
Apesar da distância
Ainda que os dias sejam frios e solitário
Sinto-me amado, protegido e admirado
Vivo situações que me dão orgulho
É uma diversão esta aventura

Desperto em meus pesadelos
Só vejo contendas e turbulências
Onde não deveria viver
O Sol nunca brilha
Escondido no céu cinzento entre fumaças
Mesmo estando perto
Em dias nublados e incertos
Sinto-me desprotegido, desprezado e ignorado
Vivo lutas que parecem não ter fim
É cansativo e desanimador

Desperto do meu sono
Admiro a beleza e a natureza
Onde poderia morar
O Sol nasce entre as montanhas
Cada vez mais brilhante nas águas do riacho
A meio caminho de casa
O calor é intenso, mas não tenso
Sinto-me amigo, respeitado e elogiado
Vivo calculando e planejando
É aprendendo com os erros e os acertos

Desperto da minha dor
Sentimentos de indignação e revolta
Onde conseguiria fugir
O Sol esconde-se nas negras nuvens
Porém não chove para refrescar e brotar
Todos debaixo de um único abrigo
Lugar apertado e estreito
Sinto-me sufocado e sem liberdade
Vivo desesperado e angustiado
É contando os dias no COTIDIANO

Desperto na vida
Cessa as lágrimas e o sofrimento
Onde deixarei para trás
O Sol ainda vai reinar, se impor
Trazendo à luz a justiça
Ainda há muito a realizar
Com vigor, disposição e vontade
Sinto-me encorajado a prosseguir
Vivo com esperança
É esperando o tempo passar


"Então Davi e seus soldados choraram em alta voz até não terem mais forças.....Davi ficou profundamente angustiado, pois os homens falavam em apedrejá-lo;.....Davi, porém, fortaleceu-se no Senhor seu Deus."

1ª Samuel 30:4-6



Wagner Pires

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

ELIAS





Sigo pela estrada
A caminho das montanhas
Abatido e desanimado, querendo a morte
Vou em busca de tranquilidade

Lugar onde eu possa estar mais perto do céu
Talvez, ali eu consiga escutar-Te
Tento ficar estático no silêncio
Assim permaneço neste vazio que ecoa nos vales

Estar mais próximo ao Sol
Para sentir Teu calor, Teu amor
E nestas quentes tardes, quem sabe, receber o refrigério
Para revigorar minha alma

Porém as madrugadas são muito frias
Aproveito e aprecio a beleza brilhante na escuridão
Queria ao menos ser aquecido
Com um alimento que suprisse o meu corpo desfalecido

Fico na minha caverna
Esperando pelo nosso diálogo, as Tuas respostas
Não vem no vento, nem no terremoto, muito menos no fogo
Elas chegam na paz e na simplicidade

O meu temor se transforma em esperança
Saio em silêncio na solidão do meu caminho de volta
Para no COTIDIANO realizar minhas tarefas
E na minha obediência por Ti ser recompensado!


"Onde está o Senhor Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado, e Eliseu passou."
2ª Reis 2:14b




Wagner Pires