domingo, 31 de maio de 2015

DÊ PRESSÃO


Crise do COTIDIANO
Separação, contendas, confusão,
Desemprego, sem apego, sem dinheiro.
O mundo físico afeta o psíquico,
Alma doente, carente, solidão.
Não escolhe raça ou sexo,
Rico ou pobre leva uma vida sem nexo.
Deixa feridas no corpo
E cicatrizes na alma.
Sou um cárcere encarcerado por mim.
Aplico as minhas leis e as minha razões.
Não aceito divergências e opiniões.
Fecho-me no meu mundo.
Transtornado e apavorado,
Chega a noite e não consigo dormir,
Não quero dormir, tenho medo de acordar.
Encolhido, afligido, trancado.
Rolo na cama pra todo lado.
Ligo a TV, desligo o PC,
Finalmente minha mente se desliga.
Ela não para de pensar,
Somar, calcular, sonhar sem raciocinar.
Tenta achar motivos e culpado,
Fica cada vez mais ofuscado.
Amanhece e não quero acordar.
Pra que trabalhar?
Só me resta chorar e lamentar.
Fugir desta prisão.
Libertar-me desta situação
Que está conduzindo à destruição.
Doente, demente, inconsequente.
À beira do abismo, um suicídio.
Quero começar tudo de novo, voltar ao princípio.
Nascer para uma nova vida.
Dar um gás, boot, apertar o botão da partida.
Saindo em correria sem olhar para traz.
Destruir esta gaiola para um voo sagaz!


“Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: Você quer ser curado?.....Levanta-se! Pegue sua cama e ande.”

João 5:6-8


Wagner Pires

quinta-feira, 28 de maio de 2015

BASTA A SIMPLICIDADE




A uns quatro anos, desde que retornei ao Brasil, visitei "n" igrejas afim de poder ser um frequentador que pudesse aprender e socializar.

Às vezes, até me pego culpando-me por não gostar de A ou B, se estou, a cada dia, mais crítico ou cético.
Porém não consigo diferenciar uma das outras, são mesmices, cópias, liturgias clonadas; não que não pudessem copiar o que é bom.

Mas o que é bom?

Vejo muita vaidade e interesse pessoal, falta de conhecimento que possam levar ao aprendizado e ensinamento; cenas e atitudes nada espontâneas, teatrais, rituais e não reuniões cultuais, comportamentos nítidos, para quem quer e consegue enxergar, de enganação e mentiras.
Números é o mais importante: de cadeiras e espaços ocupados, assim como de valores em suas contas correntes; ostentação de poder e riqueza - quantidade pessoal sem qualidade alheia.

Falta de vontade e capacidade para se ter um mínimo de temor e respeito em ouvir Deus para poder criar ou mudar a mesmice atual para poder levar o verdadeiro objetivo do evangelho: ensinamento para salvação.

Mesmo antes deste meu retorno (inútil retorno, mas não vem ao caso agora) já não saia da minha mente uma maneira mais simples de levar a Palavra de Deus.
Levar a Palavra de Deus para conhecimento, arrependimento, libertação e cura, não é necessário um mega show midiático ou tecnológico, com suas liturgias corriqueiras, repetitivas e similares seguindo um roteiro cinematográfico: bandas, músicas, grupos de dança, sentimentalismo dramático; bastaria deixar fluir a liberdade natural e espontânea utilizando a comunhão, cultura e conhecimento cristão: criativo, simples e humilde.
Não que para isso devemos deixar de lado as modernas ferramentas informáticas e tecnológicas, porém, saber utilizá-las de forma mais concreta e racional para não servir de instrumento banal e ridículo e ridicularizado pelos leigos e por aqueles que querem deturpar o que é ser um verdadeiro cristão.
Digo ridículos e infames comportamentos por aquilo que tenho visto em canais de televisão e em redes sociais, cultos e reuniões totalmente fora dos padrões cristão. Verdadeiras máquinas caça niqueis ou ingênuos ignorantes, que transformam um material que deveria ser utilizado para salvação em memes e virais transformados em comédias e paródias que só afastam as pessoas do principal objetivo da comissão de Jesus Cristo: ide e pregai o evangelho. Ao contrário disto, tenho visto a cada dia o afastamento de cristãos e não cristãos em direção ao mundo comum de corrupção e dificuldades.

Neste caso, tanto os cristão como os não cristão estão se fechando no seu mundo de egoismo e hipocrisia por interesses pessoais, e não o benefício alheio e coletivo.

Felizmente, ainda consigo enxergar um grupo ou outro, uma pessoa solitária aqui ou ali que mantém o compromisso com esta simplicidade fiel de levar a Palavra de Deus para a salvação.


"Nós lhe proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu filho Jesus Cristo."
1ª João 1:3


Wagner Pires

EU E O CÃO




Somos sem identidade e sem raça
Vida cheia de alegria e graça
Quando na praça, abro as janelas
Vemos este mundo com suas mazelas
E nós seguimos sem endereço
Liberdade que vale este preço
Partimos sem dar satisfação
Sem partido, sem religião
Muitos tem o dinheiro e aparência como maior valia
Para meu fiel cão: a minha companhia
Mesmo na caminhada a lutar
Fazemos cada lugar o nosso lar!


Wagner Pires

COREL DRAW X7


DEPRESSÃO


domingo, 24 de maio de 2015

INDIVÍDUO INDIVIDUAL INDIVISÍVEL




Circunstâncias da vida que lhe trarão oportunidades
Com múltiplas opções de escolha
Para seguir seu destino.
Esta primeira circunstância não é você que a cria,
Nasce com ela,
Com aquilo que sua família lhe pode oferecer.
Na sociedade onde sua família quis viver.
Tempo e espaço.

Nasce sem poder de decisão.
Não é o condutor do veículo vida,
É o passageiro no banco de traz.
Esta é sua principal tarefa:
Tornar-se alguém capaz de tomar suas decisões.
Decisões certas ou erradas,
Não importa.
Importa é tomar decisões.
Até mesmo os erros são acertos.
Acertos para o futuro daquele que quer aprender.
Humildade e sabedoria.

Seu caráter é formado por um percentual de você mesmo,
Outros de sua educação.
Dom e talento nato é sua inteligência,
Sabedoria é a capacidade de utilizar o mecanismo inteligência:
Para o bem ou para o mal;
Adquirindo e armazenando conhecimento (cultura e educação).
Sabedoria, um software que armazena arquivos (cultura) no SSD (inteligência).

Único, inédito e exclusivo.
Sem cópias em back ups,
Nem clones científicos,
Imagens virtuais,
Robôs cibernéticos.
Mesmo que seja um dídimo.
Tempo e espaço,
Cada um ocupa o seu.
Certeza de Newton, comprovando a Física.

Porém o mundo é social,
Com obrigações sociáveis - respeito,
Mútuo, alheio e coletivo.
Os sonhos, ou projetos, não podem ser utópicos;
Não viver um alienado.
Aprendendo, compartilhando: coletividade social.
A auto estrada lhe mostrará avenidas,
Avenidas com várias ruas.
E se forem vielas sem saída,
Dê a ré, e volte ao caminho,
Peça informação ao jornaleiro,
Verifique o GPS,
Nem tudo está perdido.
Retorne à auto estrada,
Que não existem acostamentos,
O trânsito não pode parar!


“Ora, para aquele que está vivo há esperança...Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças...”
Eclesiastes 9:4-10


Wagner Pires


quarta-feira, 20 de maio de 2015

O DROGADO





Não me considero um usuário viciado, apenas um consumidor social.
Aliás, nem considero um vício, um mal.
Sei quando usar e quando devo parar, meus limites sem que interfira no meu COTIDIANO.
Não entendo esta necessidade de regras, limites, até mesmo leis.
Tanta formalidade e burocracia apenas porque às vezes uso escondido?
Escondido na escola, escondido no trabalho, escondido em casa, escondido até no carro, no trânsito.
Que mal este consumo pode afetar à minha mente?
Corroer meus neurônios, afetar a agilidade e capacidade de raciocinar: memória?
Tudo bem que uns consomem de forma desenfreada, desesperados, aflitos, nesta loucura buscam sexo aleatoriamente.
Levam ao roubo, furto, fraudarem, casos de morte.
Perdem a noção do tempo e do espaço.
Deixam de se relacionar com a família, com a sociedade, causa de separações e divórcios.
Falta de respeito e decência, moralidade.
Seus amigos são apenas os que conseguem falar a sua língua, os mesmos vícios de consumo, a sua tribo.
Consumo que acelera o batimento cardíaco, adrenalina em alta, mãos trêmulas, suado.
Na abstinência: stressado, irado, irritado, agressivo.
Não se alimenta adequadamente, perde o apetite.
Rosto abatido de horas acordado, fuso horário trocado, zumbis.
Droga de fácil acesso, nem sempre barata, de má qualidade.
A parada é séria, zuado, na brisa, o importante é estar noiado.
Conectado.
Smarthphones, tablets, celular.
Facebook, zapzap, twittar.
Selfies e fotos no Instagram.
Chats, conversas, relações amorosas, perigosas, traição.
Charme, mentiras, pedofilia, sedução.
LoL virou esporte, sonhos de adolescentes em uma competição.
Não escapam as crianças, Minecraft virou a única diversão.
Jogos: frutinhas, espionagem, cartas e construção.
Receitas e guloseimas, religiões e suas preces.
A igreja também mudou de endereço.
Carregam suas coreografias e adereços.
Peripécias e atrapalhadas.
Pouca fé, enganação e palhaçada.
Tão bom seria se tivessem o bom caráter dos seus perfis.
Postagem de auto estima que nem ele próprio acredita e pratica.
Porque não consumir este veículo com mais atenção às notícias e textos culturais.
Fotos, história, exposições nas memes e nos virais.
Não se importam com o útil
Mundo fútil.
Muita coisa inútil.
Bem vindo à era virtual!


"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm, todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam"

1ª Coríntios 10:13


Wagner Pires

segunda-feira, 18 de maio de 2015

MUNDO ENFURECIDO




Anti-rugas
Anti-sinais
Anti depressão
Anti-aéreo
Ataques do ar
Para massacrar
Destruir
Escondidos num bunker
Abrigo anti bombas
Estúpida vida
Monótona rotina
Agressão
Opressão
Fingindo alegria
Camuflada em palavras
Sem vontade de sair
Conflitos
Ficam em seu refúgio
Encolhendo como tecido
Só assistindo
E o mundo vai girando
Preso e marcado
Semblante apagado
Sinais do tempo
Dor sofrida
Numa incessante corrida
Onde está o benefício
Neste seu ofício
Ficam escritos em relatos
Contando os fatos
História
Sempre se repete
Quem se importa
Pela cidade morta
Sem cura
Sempre à procura
Num antimicótico
Ou antibiótico
Mundo nada macrobiótico
Carnívoros
Devorando como vermes
Infiltram pela pele
Consomem a memória
Da carta precatória
Lembranças
Lambanças
Uma atrás da outra
Mente louca
Menti
Insana
Para arrumar desculpa
De quem é culpa
Por mais que tente
invente
Ação aparente
Outra inexistente
Falta o recurso
E vai morrendo neste percurso
Enfurecido
Sem ver nada parecido
Tudo muito esquisito
Não tem requisito
Qualquer um
Tanto faz
Outro ficando para traz
Definhando
Aéreo
Distraído na depressão
Esmorecido
Dormente sem ação
Retrata sua idade nos sinais
Rugas espalhadas pelo rosto
Seco
Sem água nos mananciais

"Abrirei rios em lugares altos, e fonte no meio dos vales; tornarei o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de águas."
Isaias 41:18


Wagner Pires

sábado, 2 de maio de 2015

DIGA NÃO ÀS DROGAS

          Não costumo publicar nada que não seja de minha autoria, mas este texto de Luis Fernando Veríssimo é sensacional:

          "Tudo começou quando eu tinha 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "natural", da "terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo.
          Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando pesada.
          O consumo cada vez mais frequente, comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez.
          Lembro que cheguei na loja e pedi:
- Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.
          Era o princípio de tudo!
          Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve...banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc.
          Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: É o Tchan, Companhia do Pagode, Ása de Águia e muito mais.
          Após o uso contínuo eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido. antes, então, meu amigo me deu o que eu queria: um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela!
          Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde o efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais...Comecei a frequentar o submundo e correr atrás das paradas.
          Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos Karametade e Só pra Contrariar, e até comprei a revista Caras que tinha o Rodriguinho na capa.
          Quando dei por mim já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu fazer o tempo todo o sinal de positivo.
          Não deu outra, entrei para um grupo de pagode. enquanto outros viciados cantavam uma música que não diziam nada, eu e mais doze infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos, fazíamos sinais combinados.
          Lembro-me de um dia quando entrei nas Lojas Americanas e pedi a coletânea As Melhores do Molejão. Foi terrível!
          Eu já não pensava mais! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana comecei a escutar Popozudas, Bondes, Tigrões, Motinhas e Tapinhas. Comecei a ter delírios e dizer coisas sem sentido.
           Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras" outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado; a droga limpa.
          Hoje estou internado em uma clínica, Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a este tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com sua saúde, por isso tapam a sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
          Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
          Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não souber distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: não ligue a TV no Domingo à tarde; não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo, não entre em carros com adesivo escrito: "Fui..."
          Se te oferecerem um CD, procure saber se o suspeito foi ao programa da Hebe ou se apareceu no Sabadão do Gugu; mulheres gritando histericamente é outro indício; não compre nenhum CD que tenha mais de seis pessoas na capa; Não vá a shows onde os suspeitos fazem gestos ensaiados; não compre nenhum CD que a capa tenham nuvens ao fundo; não compre qualquer CD que no Brasil tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil; e não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima. Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.
          A vida é bela! Eu sei que você consegue! Diga não às drogas!


Luis Fernando Veríssimo